Um suspiro mais longo
Recado jogado ao vento
Se o infinito descortinasse os seus olhos como um chão de pétalas peroladas, o perfume da sua voz esfacelaria oceanos de constelações tardias em crepúsculos de juras de amor esquecidas. Teus lábios então explodiriam em espelhos cáusticos de lágrimas invejadas por faróis velados pelo toque invernal de uma névoa rouca. O véu de tua cabeleira seria cobiçado pelos enigmáticos sultões que adormecem nas areias augustas banhadas por desertos imaginários. O mais leve toque de tua mão perfumada com o mais puro e raro sândalo rasgaria abismos de penumbra vigiada por luzes de candelabros tortos. Essa é a forma que a eterna beleza encontrou para esculpir teu rosto na quintessência imortal de uma aurora efêmera, mas indescritivelmente especial. Resta o sonho do reencontro, embalado em uma carícia agridoce do destino incerto.
Escrito por Gilson às 21h32
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